Dicionário - Verbetes

SAÚDE OCUPACIONAL

Autor: ADA ÁVILA ASSUNÇÃO

Campo multidisciplinar que visa promover e manter o melhor nível de bem estar físico, mental e social dos trabalhadores de diferentes ocupações; prevenindo o declínio da saúde causado por condições perigosas e insalubres de trabalho; protegendo os indivíduos no seu emprego contra os riscos à sua saúde; colocando e mantendo trabalhadores em ambientes ocupacionais adaptados às suas capacidades psicológicas e fisiológicas. A noção de relações entre os riscos do ambiente ocupacional e outros âmbitos da realidade do trabalho provoca tensões no paradigma que tradicionalmente deteve-se na compreensão do fenômeno do tipo um agente explicando um efeito sobre a saúde dos sujeitos.

Gradualmente, evoluiu de uma atividade predominante monodisciplinar e risco orientada para uma abordagem compreensiva e multidisciplinar que considera o bem-estar físico, mental e social; saúde geral e desenvolvimento pessoal.

O domínio da saúde ocupacional ultrapassa, na atualidade, as doenças do trabalho que constam da lista do Ministério da Saúde no Brasil ou da lista da Organização Internacional do Trabalho, porque, entre outros, estudos contemporâneos identificam interação entre os mencionados fatores de risco.

Os métodos e práticas desenvolvidos pelos profissionais de diferentes especialidades que atuam na área são orientados por três objetivos: (1) manter e promover a saúde e as experiências dos trabalhadores; (2) garantir um ambiente de trabalho seguro e saudável; (3) desenvolver a organização e a cultura do trabalho em direção à garantia da saúde e segurança no trabalho e, ao fazê-lo, também promover um clima social positivo e tranquilo para o coletivo. Reúne um conjunto de disciplinas, a saber: medicina, a psicologia do trabalho, segurança, educação para a saúde, etc. Estuda as múltiplas causas dos problemas de saúde e de segurança no trabalho; busca soluções para controlar e eliminar os fatores de risco do ambiente de trabalho e outras fontes de danos à saúde provenientes das condições e da organização do trabalho.

O seu objeto diz respeito aos fatores de risco conhecidos cuja presença nos ambientes de trabalho está associada a uma maior probabilidade de que determinada doença venha a desenvolver-se. Por meio de um conjunto de conhecimentos e modelos de identificação dos riscos mencionados, no campo da saúde ocupacional, são implementadas estratégias de vigilância dos riscos e controle da exposição; e, mais amplamente, são implantados mecanismos visando à segurança dos trabalhadores nas empresas e instituições. Diferentes fases compõem o processo: (1) identificação e controle dos fatores de risco para a saúde presentes nos ambientes e condições de trabalho e/ou a partir do diagnóstico; (2) tratamento e prevenção dos danos, lesões ou doenças provocados pelo trabalho, no indivíduo e no coletivo de trabalhadores. O estabelecimento da relação causal ou do nexo entre um determinado evento de saúde – dano ou doença – individual ou coletivo, potencial ou instalado, e uma dada condição de trabalho é encarado como condição básica para a implementação das ações específicas nos serviços de saúde ocupacional.

Está fortemente ancorada em arcabouços normativos e legais, os quais estabelecem critérios, limites de tolerância a agentes físicos ou químicos, por exemplo, para avaliação da exposição aos riscos. Fornece insumos para os sistemas de seguridade social em caso de doenças, lesões ou sequelas de acidentes de trabalho ou que tenham efeitos sobre a capacidade laboral. Entre as ferramentas disponíveis, a anamnese ocupacional possibilita explorar as queixas relacionadas ao trabalho. Os resultados obtidos embasam a elaboração de nexos entre as morbidades foco e o trabalho do paciente examinado.

O conceito de saúde ocupacional, tradicionalmente restrito à prevenção de doenças ocupacionais e acidentes de trabalho, atualmente foi ampliado para alcançar os dispositivos e noções relacionadas à promoção “global” da saúde e da experiência de cada trabalhador em suas atividades. Essa transição expande as ações que historicamente foram destinadas à grande indústria para o âmbito das pequenas e médias empresas, incluindo o setor de serviços. Apesar da ênfase nos aspectos patogênicos do trabalho, potencialmente produtor de sofrimento, adoecimento e morte, é importante assinalar que, na atualidade, estão reconhecidos os aspectos positivos que conduzem a construção da experiência humana em situações de trabalhos e o seu papel nas estratégias de enfrentamento diante de condições adversas.

BIBLIOGRAFIA:

MENDES, R.; DIAS, E. C. Da medicina do trabalho à saúde do trabalhador. Revista de Saúde Pública, São Paulo, v. 25, n.5, p. 341-349, 1991.

WORLD HEALTH ORGANIZATION. Occupational health: a manual for primary health care workers. Geneva: WHO, 2001.

BRASIL. Ministério da Saúde. Doenças relacionadas ao trabalho:manual de procedimentos para os serviços de saúde. Brasília: Ministério da Saúde e Organização Pan-Americana de Saúde, 2001.

WESTERHOL, P.; BARANSKI, B. Guidelines on quality management in multidisciplinary occupational health services. Bilthoven: European Centre for Environment and Health/ WHO, 1999.

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