Dicionário - Verbetes

ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO NA EDUCAÇÃO INFANTIL

Autor: IVONE GARCIA BARBOSA

Coautor: NANCY NONATO DE LIMA ALVES, TELMA APARECIDA TELES MARTINS

Ação ou processo de planejar e estruturar intencionalmente a atividade educativa dos professores, gestores e outros agentes envolvidos no Projeto Político Pedagógico de instituições de Educação Infantil, reconhecida oficialmente no Brasil como primeira etapa da Educação Básica. Trata-se de uma ação fundamental que norteia a construção, organização e avaliação contínua do trabalho educativo em creches e pré-escolas, definindo: os princípios e fundamentos a serem considerados pelos diferentes sujeitos na atuação com as crianças nos diversos espaços da instituição; a estruturação das relações e dimensões do trabalho a ser desenvolvido e em desenvolvimento; a ordenação e articulação dos procedimentos; a racionalidade do uso de recursos humanos, materiais e financeiros; a relação com as famílias e com a comunidade, bem como a coordenação e avaliação do processo das ações desenvolvidas, considerando-se a consecução de objetivos e as finalidades educativas específicas da educação das crianças de zero a cinco anos. A instituição de Educação Infantil cumpre uma função sócio-histórica que abrange a formação de crianças pela mediação dos adultos, entre os quais se destaca a figura do professor e de grupos, muitos deles constituídos por crianças de mesma idade ou mais experientes. O trabalho pedagógico constitui-se como uma forma específica de atividade humana, que se realiza em um contexto determinado – a instituição educacional – e envolve processos de apropriação, reprodução e criação. O trabalho, em qualquer instância, é mais do que um ato ou uma prática em si, está imbuído de contradições e de características socioculturais, portanto, é uma atividade pela qual a sociedade se produz e reproduz, elaborando formas singulares de agir, pensar e ser que vão determinar a constituição da subjetividade (MARX, 1983). A organização do trabalho pedagógico na Educação Infantil visa assegurar meios e condições objetivas para atingir determinada finalidade, que na perspectiva sócio-histórico-dialética refere-se a uma formação integral, capaz de proporcionar o desenvolvimento multifacético da criança. A ação pedagógica do professor se caracteriza, também, por uma posição diferenciada, assumindo-se como mediador privilegiado da cultura, do conhecimento, da formação de valores, hábitos e atitudes (VYGOTSKY, 2001; WALLON, 1975; BARBOSA, 1997). As premissas e as metodologias eleitas pelo professor precisam contribuir para o processo de inserção e acolhimento das crianças e de suas famílias na instituição, respeitando a pluralidade e diversidade étnica, religiosa, de gênero, social e cultural. De acordo com Freitas (2000), o trabalho pedagógico é entendido em dois níveis: o trabalho que se desenvolve predominantemente na sala de aula e a organização global do trabalho pedagógico da instituição, como projeto político pedagógico. A elaboração desse Projeto, então, deve ser considerada como base essencial para a organização do trabalho pedagógico (VEIGA, 1998). Ao se constituir expressão de um projeto coletivo, podem desvelar contradições no campo do trabalho, favorecendo a instauração de relações menos competitivas, de decisões compartilhadas e de uma gestão efetivamente democrática. Faz-se necessário, assim, superar tanto posturas autoritárias como espontaneístas nas interações em que se envolvem os adultos e as crianças, orientando o trabalho cotidiano em creches e pré-escolas, fundamentado em um Projeto Político-Pedagógico que explicite e articule de modo sistemático uma concepção de sociedade, cultura, educação, infância, aprendizagem e desenvolvimento. Para assegurar a qualidade na Educação Infantil, portanto, exige-se que as atividades propostas cotidianamente concretizem as finalidades e objetivos estabelecidos, para o que é fundamental o ato de planejar. Entende-se que “o planejamento é ação de projetar, dar direção, traçar um plano, programar, elaborar roteiro, ordenar, sequenciar, definir prioridades, criar possibilidades de interação e experiências, para favorecer a apropriação pelas crianças de conhecimentos, afetos e atitudes, permitindo diferentes manifestações expressivas das crianças e, também, do professor” (BARBOSA; ALVES, 2010, p. 4). Vários outros elementos compõem a organização do trabalho pedagógico na Educação Infantil, sendo essencial garantir a articulação entre eles, devendo considerar a participação das famílias e da comunidade: planejamento; escolha de critérios para formação dos agrupamentos de crianças; definição do tempo, dos espaços e ambientes, da rotina de atividades (BARBOSA, 2006); elaboração e realização de projetos, que podem ser estruturados em forma de centros de interesses, temáticas, sequências didáticas, dentre outros; criação de materiais e equipamentos adequados às necessidades das crianças; avaliação da aprendizagem, do projeto institucional, da atividade pedagógica do professor. Um princípio a se enfatizar é a indissociabilidade entre cuidar e educar, sendo a criança concebida como um ser ativo e sujeito de direitos. O trabalho pedagógico na Educação Infantil abrange, dentre outros processos e atividades: articulação das experiências infantis com os conhecimentos do patrimônio científico, cultural, artístico, ambiental, técnico e tecnológico; promoção do desenvolvimento físico, afetivo, cognitivo, ético e estético da criança, propiciando autoconhecimento e autonomia; ampliação das relações sociais e afetivas positivas; desenvolvimento da comunicação e expressão infantil por meio da apropriação e domínio das várias linguagens humanas; interação com o mundo físico e social; atividades ligadas às necessidades biológicas da criança; a brincadeira como uma das atividades privilegiadas para a aprendizagem e desenvolvimento infantil (BRASIL, 2009). Desse modo, a organização do trabalho pedagógico, na Educação Infantil, abrange diferentes dimensões e apresenta peculiaridades em relação às demais etapas educacionais, conduzindo a uma experiência curricular em que se compreende o currículo como processo vivo, em constante movimento, constituindo-se como forma de materialização do trabalho pedagógico.

BIBLIOGRAFIA:

BARBOSA, I. G. Pré-escola e formação de conceitos: uma versão sócio-histórico-dialética. 1997. Tese (Doutorado) – Universidade de São Paulo, Faculdade de Educação, São Paulo.

BARBOSA, I. G.; ALVES, N. N. L. Planejamento na educação infantil: uma perspectiva sócio-histórico-dialética. Goiânia, 2010. (no prelo).

BARBOSA, M. C. Por amor e por força: rotinas na educação infantil. Porto Alegre: Artmed, 2006.

BRASIL. Resolução CNE/CEB nº 5, de 15 de dezembro de 2009. Fixa as diretrizes curriculares nacionais para a educação infantil. Diário Oficial da União, Brasília, 18 dez. 2009.

FREITAS, L. C. de. Crítica da organização do trabalho pedagógico e da didática. 3. ed. Campinas: Papirus, 2000.

MARX, K. Contribuição à crítica da economia política. São Paulo: Victor Civita. 1983.

VEIGA, I. P. A. Escola: espaço do projeto político-pedagógico. 4. ed. Campinas: Papirus, 1998.

VYGOTSKY, L. S. Psicologia pedagógica. São Paulo: Martins Fontes, 2001.

WALLON, H. Psicologia e educação da infância. Lisboa: Estampa, 1975.

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