Por um movimento não-insular: uma análise do papel da Internacional da Educação (IE) nas cúpulas internacionais sobre a profissão docente

SILVA, Danilo Marques. 2025. UFMG. Tese: Doutorado em Educação. Orientação: Dalila Andrade Oliveira. Co-orientação: Juliana de Fátima Souza.

Esta tese se propõe a analisar o papel da Internacional da Educação (IE), federação sindical internacional de docentes e demais profissionais da educação, nas Cúpulas Internacionais sobre a Profissão Docente (CIPD). As Cúpulas são eventos anuais organizados desde 2011 pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e a IE, com a participação de autoridades educacionais, lideranças sindicais, especialistas, docentes de mérito reconhecido e outras/os representantes da governança da educação. Neste trabalho, as Cúpulas são compreendidas como arenas de legitimação política e fóruns colaborativos entre a IE e a OCDE. A metodologia inclui análise documental e entrevistas semiestruturadas com dirigentes da IE, da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE, Brasil) e da Confederación de Trabajadoras y Trabajadores de la Educación de la República Argentina (CTERA). O referencial teórico deste estudo fundamenta-se na análise da governança educacional sob uma perspectiva transnacional, articulando os conceitos de “Agenda Globalmente Estruturada para a Educação” e de multirregulação educacional, bem como incorporando a perspectiva da Sociologia da Ação Pública, conforme evidenciado nos trabalhos de João Barroso, Christian Maroy, Roger Dale, Pierre Lascoumes e Patrick Le Galès. A tese problematiza a atuação da UNESCO, do Banco Mundial e da OCDE na construção da agenda educacional global, evidenciando seus discursos e instrumentos mobilizados para a (re)configuração da profissão docente e destacando o protagonismo da OCDE nesse movimento. Em relação à IE, buscou-se identificar e problematizar seus princípios, objetivos, estruturas de governança e estratégias de ação, bem como os limites e contradições de seu mandato em âmbito global. Para compreender as estruturas das Cúpulas e as estratégias mobilizadas a partir de cada evento para problematizar a profissão docente, foi realizado o mapeamento, síntese e análise dos relatórios consolidados ao final de cada edição do encontro, promovidos entre 2011 e 2023. A etapa final consistiu na realização de entrevistas semiestruturadas com representantes da IE, CNTE e CTERA a fim de analisar como cada instância interpreta as Cúpulas e a interlocução com a OCDE. À luz do referencial teórico, dos documentos analisados e das entrevistas, observou-se que, na escala global, ou seja, na IE, as críticas à OCDE são mais ponderadas, ao passo que, na escala regional, há postura mais contundente e crítica. De modo geral, o envolvimento da IE nas Cúpulas é considerado estratégico, por demarcar a perspectiva sindical em um fórum cuja legitimidade tem sido, ano após ano, reconhecida. Apesar desse reconhecimento, representantes das entidades sindicais latino-americanas também identificam limites quanto aos efeitos práticos das deliberações desses eventos sobre os contextos nacionais.

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