O Plano Nacional de Implementação das Diretrizes Curriculares Nacionais para a educação das relações etnico-raciais e para o ensino de história e cultura afro-brasileira e africana e a ação da SMED/BH na promoção da igualdade racial na educação

SOUZA, Anderson Xavier de. 2016. UFMG. Dissertação: Mestrado em Educação. Orientação: Lívia Maria Fraga Vieira.

Esta pesquisa descreve e analisa o desenvolvimento, em Belo Horizonte, do Plano Nacional de Implementação das Diretrizes Curriculares Nacionais para Educação das Relações Étnico-raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-brasileira e Africana (Plano). Este Plano foi apresentado em 2009 pelo governo federal no intuito de institucionalizar e fomentar a prática das referidas Diretrizes nos estabelecimentos escolares brasileiros. Pesquisadores do campo das relações étnico-raciais (GOMES, 2009, 2012; GOMES e JESUS, 2013) e ativistas antirracistas identificam dificuldades na implementação da Lei 10.639/03, que determina a obrigatoriedade do estudo da história e cultura afro-brasileira e africana nos estabelecimentos de ensino fundamental e médio, públicos e privados – além de incluir no calendário escolar o Dia Nacional da Consciência Negra. Foi objeto de análise as ações da Secretaria Municipal de Educação de Belo Horizonte (SMED-BH), sobretudo as iniciativas realizadas pelo Núcleo de Relações Étnico-raciais (NRER), concernentes à implementação dos temas contidos no Plano, no período de 2004 a 2016. O exame das evidências empíricas – análise de pesquisa documental e entrevistas – indicou que, em Belo Horizonte, a maioria das metas estipuladas pelo Plano foi cumprida. A investigação demonstrou a existência de uma trajetória de institucionalização de ações de promoção da diversidade étnico-racial na SMED-BH que antecede o Plano e explica o motivo pela qual as metas indicadas foram alcançadas. Ainda, este estudo constatou que a criação do Plano exerceu pouca repercussão nas ações da SMED-BH no combate ao racismo na educação. As evidências levam à conclusão de que o Plano não foi o principal fator propulsor das ações de promoção da igualdade racial em BH. Ao contrário, o contexto histórico marcado pela atuação do NRER, e pela força da militância negra no município, são fatores que explicam o cumprimento das metas estabelecidas pelo Plano em Belo Horizonte. À luz de estudos sobre relações étnico-raciais no Brasil (FERNANDES, 1965, 1972; FREYRE, 1933; GUIMARÃES, 1999; MAIO, 1999, 2014; MUNANGA, 2004; SCHWARCZ, 1994, 2006) a pesquisa indica, também, associações entre o desenvolvimento local do Plano em Belo Horizonte e dois princípios orientadores de concepções sobre diversidade e relações étnico-raciais presentes na sociedade brasileira: as ideias de democracia racial e de ações afirmativas.