Por que ser professor? Uma análise da carreira docente na educação básica no Brasil

DUARTE, Alexandre William Barbosa. 2013. UFMG. Dissertação: Mestrado em Educação. Orientadora: Dalila Andrade Oliveira.

Convive-se atualmente no Brasil com a frequente denúncia de um eminente colapso da educação básica no país, derivado da acentuada queda do número de profissionais em determinadas etapas de ensino e/ou áreas de conhecimento e do consequente aumento do número de matrículas oriundo das políticas de expansão do ensino implementadas nas últimas décadas. Baixos salários, insatisfação com o trabalho e desprestígio profissional vêm afugentando os docentes da carreira do magistério na educação básica, fazendo com que aqueles que já se encontram nela busquem alternativas fora da profissão (como a iniciativa privada ou a docência do ensino superior) e também com que os jovens em início de carreira não se interessem pela docência. Baseado nesse quadro comumente exposto na grande mídia do país, a presente dissertação tem como objetivo buscar compreender, à luz da análise das políticas públicas dos Estados de Minas Gerais e Pernambuco, o problema da baixa atratividade da profissão docente no cenário educacional brasileiro. Observamos que, a partir da constatação da problemática da baixa atratividade que vem apresentando o magistério público no país, ressaltada por instituições acadêmicas, organismos internacionais, organizações sindicais e, até mesmo, pelo setor empresarial, o Estado, em suas distintas instâncias, vem engendrando políticas que têm como objetivo a valorização da profissão docente e, consequentemente, elevar sua capacidade de atrair novos profissionais e de manter aqueles que nela se encontram. Para a pesquisa proposta foram identificadas e analisadas políticas públicas, em âmbito nacional e estadual, e ações dos diferentes setores da sociedade civil que têm como foco a valorização docente e a busca pela inserção de novos profissionais na carreira. A partir dos textos legislativos das distintas instâncias governamentais e documentos oficiais disponibilizados por instituições acadêmicas, organismos internacionais, movimento sindical e por organizações de incentivo privado, identificamos que a problemática da baixa atratividade da profissão docente vem constituindo um amplo debate no cenário educacional do país e gerando uma intensa preocupação nestes diversos setores. Todavia, conforme vêm ressaltando as instituições representativas do professorado, tais políticas não apresentam os resultados esperados e, muitas vezes, apresentam-se na contramão dos objetivos propostos, contribuindo, sobretudo, para um acentuado processo de desprofissionalização.